Há certos filmes que não queremos ver. Certas coisas que nao queremos pensar. Muitas mais que não queremos dizer.
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Dia após dia juntamos momentos, fazemos de fragmentos soltos um puzzle, criamos uma história...Dia após dia damos forma a estas, fortalecemos as suas raízes, criamos muralhas para a proteger...e assim, quando damos por nós, a ideia já está concebida, sem mesmo nós sabendo como nem porquê...simplesmente está...e guardámo-la para nós...
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E sem qualquer razão aparente...
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Como que num instante, tudo o resto é esquecido, as palavras fluem, controladas por algo que ultrapassa a razão...a razão avisa-nos de que não é isto que queremos, de que é errado...mas nada nos pára...um chorrilho de palavras atravessam-nos no pensamento deturpando a réstia de lucidez que ainda existe... naqueles instantes tudo faz sentido...somos livres para dar voz ao pensamento...
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E de repente...a queda...o voltar à realidade...o sentimento de impotência, de não poder retroceder, de refazer o que foi feito, de não apagar o passado...A razão volta, volta poderosa, cheia de sí, trazendo consigo um remorço difícil de apagar...não há como a evitar...
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Nada nem ninguém pode voltar atrás...nada apaga o que foi dito...se foi verdade ou mentira, se era certo ou errado...isso já nao importa...o que importa....é que foi dito...